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22/04/2008 - COM ALTA DOS JUROS, DÍVIDAS NO CHEQUE ESPECIAL E NO CARTÃO DE CRÉDITO VIRAM AS GRANDES VILÃS

22/04/2008 

Rio - Em época de alta de juros, quem tem dívida fica ainda mais preocupado. Embora o aumento no cheque especial, no cartão de crédito e nas financeiras ainda seja pequeno — 0,39%, 0,52% e 0,36% ao ano, respectivamente, depois do reajuste, quarta-feira, na Taxa Selic pelo Banco Central —, essas modalidades são as que mais pesam no bolso dos consumidores por cobrar juros muito acima do mercado, que chegam a até 259% em 12 meses. Especialistas dão dicas de como se livrar das dívidas para que não virem uma bola-de-neve.

Para sair do vermelho, vale evitar outro empréstimo. Se não for possível ajustar o orçamento doméstico, deve-se buscar um crédito com a menor taxa de juros. O principal deles é o consignado, com desconto em folha, com variação de até 2,5%.

“Quanto mais rápido se livrar dessas despesas, melhor. Existem linhas mais baratas que o cheque especial. No mesmo banco, há empréstimos com taxas de 2% a 5%”, alerta Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac, que fez as contas do impacto do aumento da Selic no bolso do consumidor. Para o economista Antonio Amado, dependendo de como reagir o mercado ao “tiro forte” do Banco Central, não deve haver novos aumentos da taxa.

A pensionista Maria da Glória Mesquita, 55 anos, está com o nome sujo. Ela comprou armário em 15 prestações de R$ 57. Não conseguiu quitar e contraiu um empréstimo de R$ 500. Pagou 135% de juros, ou seja, 12 de R$ 97. “Não tive como pagar de novo”, lamenta.

No caso de cartão de crédito, o economista Gilberto Braga sugere a negociação. “As operadoras sabem que cobram juros altos, mas não querem ficar sem receber”, explica. Foi o que aconteceu com a secretária Ana Claudia Januário, 34 anos. Ela terá desconto de 47% para quitar a dívida à vista.

Já Deusa Brito, 42 anos, não teve a mesma sorte. Paga toda a dívida em 12 vezes. “Não penso mais se a prestação é pequena. Só quero saber se posso pagar. Aprendi a lição”, garante Deusa.

Educação financeira é prioridade

Um grupo de trabalho foi criado para formatar uma política de Educação Financeira para os brasileiros. A idéia é atingir não só os adultos, mas também as crianças nas escolas ao inserir, de uma maneira voluntária, nas matérias curriculares temas sobre o assunto. O grupo tem seis meses para discutir como o programa será desenvolvido. O ponto de partida sairá do resultado de uma pesquisa nacional sobre o grau de conhecimento da população nas questões financeiras.

Segundo o superintendente de Proteção e Orientação a Investidores da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), José Alexandre Vasco, a proposta é ensinar como equilibrar a renda com despesa, estimular a cultura da poupança e como investir melhor o dinheiro. “Queremos dar ferramentas para se atingir o objetivo: seja uma aposentadoria mais segura, um seguro ou uma faculdade”, conta.

O grupo, coordenado pela CVM, é formado também pelo Banco Central, a Secretaria de Previdência Complementar e a Superintendência de Seguros Privados.

COMO SE LIVRAR DA DÍVIDA

Procure o crédito consignado para pagar tudo o que deve. Além do juro baixo, esse empréstimo tem efeito “disciplinador”. Com desconto em folha de pagamento, o endividado não ficará tentado a deixar de pagar para consumir mais.

Se não der para fazer o consignado, pesquise antes de fechar negócio para conseguir taxas menores.

Nos bancos, há o microcrédito de até R$ 2 mil com juros de 2% ao mês.

Quem tem jóias pode buscar o penhor ou micropenhor da Caixa Econômica Federal (com juros de até 2,12%). Depois, é preciso se programar para recuperar o bem no banco.

Fuja da tentação de prestações baixas, mas com juros muito altos. O endividado só adiará o problema.

Não acumule dívidas. Isso pode virar uma bola-de-neve.

Há sempre margem de negociação, principalmente no cartão de crédito. Com juros altíssimos, dá sempre para baixar o valor total da dívida.

Caso não consiga um acordo, há a opção de entrar na Justiça contra o banco ou a operadora. Mas cuidado para a despesa com o advogado não virar outra dívida.

Coloque no papel todas as despesas. Faça uma planilha de gastos, se possível diária, e controle o orçamento de toda a família.

Ao pegar o empréstimo, não faça novas dívidas. Corte os gastos “ supérfluos”.

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